A carência inevitável se faz presente
Dois corpos quentes bailam a valsa da solidão
Alguém no final sairá ferido
O fogo ilumina muito por muito pouco tempo
Duas mentes frias dançam sem saber o próximo passo
O preço pago é muito alto
Uma dívida não quitada
Uma dúvida nunca esclarecida
Gostamos de brincar com fogo
Fogo que vem tão rápido quanto vai
Bravo! Estamos juntos e sozinhos novamente
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Im par
Foi um dia estranho do começo ao fim. Não lhe pertencia, assim como não pertenceu a muita gente, mas com ela era diferente. Não era pura carência despertada por novelas melosas, músicas belas e filmes sobre um sentimento utópico, era o peso da decisão. Há muito tempo, uma garota decidiu que não queria. Ninguém entendia, ela não sabia a razão. Somente não queria. E decidir algo assim não é fácil, pois tudo que se vive traz a dúvida. Naquele dia ela teve a certeza, não de que estivesse certa em sua escolha, mas que escolhas quando feitas têm suas consequências. Não querer significou não ter e não ter significou precisar lidar com isso. Mas como não gostava de conformismo teve que pensar. Não poderia apenas aceitar tudo aquilo, teria que entender. Entender que existimos porque temos que existir e que não precisamos de uma metade. Nascemos únicos e se sozinhos não nos sentimos completos, jamais nos sentiremos. Então a ficha caiu. Ela não era a metade de ninguém que não fosse dela mesma, mas a vida sem amor, não tem graça e, como detestava a monotonia tanto quanto o conformismo, teve que dar o braço a torcer. O amor romântico não é eterno, exatamente por isso que é tão irresistível.
domingo, 8 de maio de 2011
Ofidiário, o grande drama
Homens e suas ideias fantasiadas de realidades inevitáveis
Imaginação usada para o comum e sem graça
Podridão almejada por mentes fracas
Olhos fechados ao encarar o espelho
Choro que acorda a piedade da plateia
Riso que esconde a vontade de ter o que não lhe pertence
Imobilizaram-me por uma fração de segundos
Segundos que não farão faltam, já que serviram de alerta
Ironia forçada se transforma em mediocridade
A mentira só faz sentindo quando existe alguém enganado
Bravo! Se não fosse tão ridícula a tentativa de ser especial, seria uma bela história dramática.
Imaginação usada para o comum e sem graça
Podridão almejada por mentes fracas
Olhos fechados ao encarar o espelho
Choro que acorda a piedade da plateia
Riso que esconde a vontade de ter o que não lhe pertence
Imobilizaram-me por uma fração de segundos
Segundos que não farão faltam, já que serviram de alerta
Ironia forçada se transforma em mediocridade
A mentira só faz sentindo quando existe alguém enganado
Bravo! Se não fosse tão ridícula a tentativa de ser especial, seria uma bela história dramática.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Estar só
Estava tão irritada que não conseguia mais caminhar. Não quis saber se alguém repararia em mim, deixei que minhas pernas fizessem o que bem entendessem. Assim que sentei, coloquei a cabeça entre as pernas, tampei o rosto com as mãos e comecei a chorar. Lágrimas com um gosto que há muito eu não sentia, gosto do medo. Mesmo sem ver, eu tinha consciência dos olhares em minha direção, eles eram pintados de receio e pena. Pouco me importava o que sentiam por mim, a única pessoa que me machucava com um sentimento era eu mesma. O sabor amargo da insegurança era forte, e ódio que ele despertava, insuportável. Tao incomodo que me deu impulso, levantei e corri, fugindo para algum lugar seguro, longe de mim. Em minha fuga sem sentido, achei abrigo nos braços daquela de quem os homens tem tanto medo. E com inesperada e doce voz me falou: só é corajoso aquele que conhece o medo.
domingo, 20 de março de 2011
Por mim
Por imaturidade, permiti que despedaçassem meu coração.
Por necessidade, recolhi cada pequeno pedaço e comecei a reconstruí-lo.
Por loucura, deixei que entrassem em meu peito vazio.
Por natureza, me importei.
Por burrice, não impedi que acabassem com o pouco que consegui arrumar.
Por ser humana, chorei.
Por ser quem sou, aprendi.
Por amor, segui em frente.
Sigo.
Por necessidade, recolhi cada pequeno pedaço e comecei a reconstruí-lo.
Por loucura, deixei que entrassem em meu peito vazio.
Por natureza, me importei.
Por burrice, não impedi que acabassem com o pouco que consegui arrumar.
Por ser humana, chorei.
Por ser quem sou, aprendi.
Por amor, segui em frente.
Sigo.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Um homem
"Sua inteligência absolutamente fora do comum de tão grande, a princípio me deixou embaraçada. Tive que me habituar ao jargão da grande inteligência. É normalmente sério, mas tem um sorriso- não, não vou dizer que o seu sorriso lhe ilumina o rosto todo. Mas, enfim, é a verdade. Ele não tem medo do lugar-comum, o tal engajamento o leva à atmosfera de sua inteligência. Esta muitas vezes usa sofismas, que são a astúcia de quem pode. Entendo-o não com a cabeça, que não alcançaria a sua, mas com minha pessoa inteira. Aliás, ele é uma pessoa inteira. Seus olhos muito negros não se desviam: ele não tem medo de olhar os homens no profundo dos olhos. Dá vontade de sorrir com ele. Se eu soubesse. Aliás, preciso me habituar a sorrir mais, senão pensam que estou com problemas e não com o rosto apenas sério ou concentrado.Voltando ao homem: quando ele diz 'até amanhã', sabe-se que o amanhã virá. Ele tem ligeiro mau gosto na escolha dos objetos de adorno que compra. Isso me dá ternura. Ele é inconsciente de que eu o vejo tanto, não tantas vezes, mas tanto. "
Clarice Lispector
Clarice Lispector
quarta-feira, 9 de março de 2011
Melhor amigo inimigo
Não mudei. Sou a mesma pessoa de antes, talvez com uma dose a mais de maturidade, mas a mesma. Mudanças requerem muito mais do que isso, apenas perdi a insanidade, a obsessão. Um breve momento para entender o que me disseram certa vez. Não é possível entregar-se sem o auto-conhecimento. Mas este trouxe consigo a realidade. As pessoas precisam de mim, não duvido disso, jamais. Eu preciso mais ainda de mim, porém. Precisava vestir-me de mim. Sentir que estava em casa debaixo de minha pele. Não foi tarefa fácil e muito menos difícil. Aconteceu sem a minha permissão, eu não estava consciente daquilo. As mais necessárias coisas nos acontecem quando não esperamos mais nada de ninguém. Como confiar na decisão de alguém que não sabe mais o que deseja ou não, pois por sua mente só passa um único e inútil pensamento? Melhor confiar em meu pior inimigo, ele na intenção de causar o mal, me arrancaria aquele que tivera meu amor. Em terrível ato falho me daria exatamente aquilo que eu tinha tamanha carência. O beijo da morte me traria de volta a vida. Sentiria afeto, então. Ao olhar meu pior inimigo. Espelho. Meu único inimigo.
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